Após 18 dias, polícia do Maranhão ainda não sabe o paradeiro do jovem Marcelo Machado

Após 18 dias, a polícia ainda não conseguiu explicar o que aconteceu com o jovem Marcelo Machado, de 25 anos, que sofre de esquizofrenia. Ele foi visto pela última vez no dia 06 de setembro, em Paço do Lumiar, entrando em uma viatura policial, mas depois desapareceu.

“A Justiça tem que estar mais em cima desses policiais [da viatura] para eles falarem o que eles fizeram com meu filho, onde eles botaram. Eles têm que dar conta, eu quero uma resposta. A família quer uma resposta. A gente está sofrendo muito com isso”, afirmou Miriam Costa Melo, mãe de Marcelo.

A polícia foi chamada porque Marcelo estaria tentando invadir algumas casas no bairro da Pindoba. Em um vídeo, ele aparece as mãos amarradas com uma corda prestes a entrar na viatura, ao lado de dois policiais, identificados como soldado Santos e o sargento Magno.

Em depoimento, os dois PMs disseram que Marcelo havia sido amarrado a um poste por moradores. Depois disso, os policiais afirmam que ajudaram o jovem e levaram ele para duas pessoas que seriam conhecidas.

No entanto, Marcelo não mora na região da Pindoba, mas sim no Anjo da Guarda, a 40 km de onde foi achado. Além disso, ninguém sabe quem são as pessoas descritas pelos policiais.

Durante o depoimento na Delegacia de Homicídios, três testemunhas disseram ter visto Marcelo pelas ruas depois de ter sido deixado pela viatura, mas já se passaram quase 20 dias e ele não foi encontrado.

“Muito estranha a versão desses policiais. Eu, com muita fé em Deus, acredito ainda que ele esteja vivo, que ele está por aí andando. Mas na mesma hora eu já fico pensando que esses policiais fizeram alguma coisa com meu filho”

A Polícia Civil diz que, apesar de as investigações estarem a cargo da Delegacia de Homicídios, o caso ainda está sendo tratado como desaparecimento e, por isso, os pms envolvidos estão sendo considerados testemunhas, por enquanto.

“Existe sim uma infração administrativa que está comprovado porque eles fizeram a abordagem e não apresentaram em uma unidade de polícia. A partir do momento que ele não fazem isso, eles praticam um erro administrativo. Isso aí já é uma penalidade administrativa. Um crime tipificado na lei penal ainda não temos. Isso não quer dizer que não possa ter. Se ele [Marcelo] aparecer, eles respondem pela parte administrativa. Se por um acaso acontecer alguma coisa com essa pessoa, ou já aconteceu, a partir do momento que nós descobrirmos isso, eles podem vir a ser investigados. São tratados agora como testemunhas, e depois como investigados”, afirmou o delegado Marconi Matos.

A Polícia Militar informou que abriu um inquérito militar para apurar a conduta dos pms, e o comando da Polícia Militar disse que a instituição está empenhada em localizar Marcelo. O Ministério Público do Maranhão também acompanha o caso.

“Espero que eles esclareçam o mais rápido possível e dar uma prensa nesses policiais que é para eles falarem a verdade, mesmo que seja sobre ele estar vivo ou morto, não sei. A gente quer saber”, diz a mãe. com G1

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